Publicado originalmente no Jornal Extra de Alagoas
Por André Noronha
Não se espante, queremos dizer que a I.A. é burra no sentido de não possuir conhecimento prévio. Na verdade, ela é inicialmente leiga e só funciona a partir do momento que recebe grandes quantidades de dados e os combina, permitindo que ela aprenda automaticamente com padrões ou informações nos dados.
Recentemente uma I.A. que causou forte impacto nos fóruns de discussão foi o ChatGPT. Essa e outras Inteligências artificiais, de fato, podem otimizar diversos processos e possuem a capacidade de responder perguntas e executar tarefas que antes eram muito complexas, como escrever um artigo, um livro, uma resenha, construir um site etc., atividades que demandam dias ou meses, agora podem ser feitas num piscar de olhos.
Acontece que as I.A.s aprendem, e elas aprendem seguindo os passos do próprio processo de aprendizagem humano: lembrar, compreender, aplicar, analisar, avaliar e criar. No entanto, ela não consegue demandar, ou seja, ela não escolhe temas a serem pesquisados, apenas executa tarefas a partir de demandas definidas por um humano, com base no conjunto de dados oferecido. Neste sentido, uma I.A. mal treinada ou com poucos dados sobre um assunto pode fornecer uma informação incompleta ou incorreta, portanto, a presença do humano para avaliação final da informação, ainda é de suma importância.
A importância do humano curatelando as informações obtidas por uma I.A. se dá, principalmente porque, a depender do conjunto de dados que será disponibilizado para sua aprendizagem, suas respostas poderão imprimir padrões tendenciosos ou preconceituosos, exatamente o que aconteceu com a Amazon, sua ferramenta de recrutamento interno estava dispensando candidatas mulheres por ter sido treinada com dados de decisões históricas de contratação que favoreciam os homens em relação às mulheres, ela aprendeu a fazer o mesmo.
Visualizando esta problemática a Lei Geral de Proteção de Dados trouxe normativo que assegura ao titular dos dados, o direito a solicitar a revisão, por um humano, de decisões tomadas unicamente com base em tratamento automatizado de dados pessoais que afetem seus interesses, incluídas as decisões destinadas a definir o seu perfil pessoal, profissional, de consumo e de crédito ou os aspectos de sua personalidade. Dessa forma, a legislação é uma aliada na imposição de limites à utilização de Inteligência Artificial, limites estes que devem ser sempre revistos, pois, os costumes e tendências estão em constante mudança.
Portanto, cabe a nós definir o impacto que a I.A. terá na vida das pessoas, o segredo será sempre a ética e a transparência, de forma a sistematizar uma Inteligência Artificial responsável, considerando os benefícios e os danos que ela pode causar.
